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Regime Simplificado: O Que É e Como Funciona

O regime simplificado é a forma de tributação mais comum entre trabalhadores independentes. Este guia mostra quem pode aderir, como se calcula o imposto, as despesas a justificar e quando compensa mudar.

Miguel Dominguez · Contabilista Certificado Atualizado a 15 de agosto de 2026

O essencial

  • No regime simplificado, o imposto não incide sobre o lucro real: aplica-se um coeficiente ao rendimento bruto.
  • Pode aderir quem tem rendimentos da categoria B até 200 000 € por ano.
  • Para os serviços do artigo 151.º, o coeficiente é de 0,75: só 75% do rendimento é tributado.
  • Com esse coeficiente, é preciso justificar despesas de 15% do rendimento, ou a diferença é tributada.
  • É o regime mais simples, mas nem sempre o mais vantajoso para quem tem muitas despesas reais.

O que é o regime simplificado

O regime simplificado é um regime de tributação em sede de IRS, para os rendimentos da categoria B, pensado para pequenos negócios e trabalhadores independentes. A sua lógica é a simplicidade: em vez de apurar o lucro real através de uma contabilidade completa, o Estado presume que uma parte do rendimento corresponde a despesas da atividade, e tributa apenas o resto.

Na prática, o rendimento tributável não é o valor faturado, mas o resultado de multiplicar esse valor por um coeficiente definido na lei. É o regime mais comum entre quem passa recibos verdes, precisamente por exigir menos obrigações do que a contabilidade organizada.

Quem pode aderir

O regime simplificado aplica-se, por regra, automaticamente a quem tem rendimentos da categoria B iguais ou inferiores a 200 000 € por ano. Acima desse limite, a contabilidade organizada passa a ser obrigatória.

Abaixo dos 200 000 €, o trabalhador independente pode ainda assim optar pela contabilidade organizada, se lhe for mais vantajoso, tipicamente quando tem muitas despesas reais a deduzir. Ou seja, o simplificado é o ponto de partida da maioria, mas não é o único caminho possível.

Como se calcula o rendimento tributável

Aqui está o coração do regime, e o que o distingue de todos os outros. O rendimento tributável obtém-se aplicando um coeficiente ao rendimento bruto, e esse coeficiente varia com o tipo de atividade.

Tipo de rendimentoCoeficienteParte tributada
Serviços do artigo 151.º (profissões liberais)0,7575%
Outras prestações de serviços0,3535%
Venda de mercadorias, restauração e alojamento0,1515%
Principais coeficientes do regime simplificado. O restante presume-se despesa da atividade.

Um exemplo torna tudo claro. Um consultor com 20 000 € de rendimento bruto, sujeito ao coeficiente de 0,75, tem um rendimento tributável de 15 000 €. É sobre esses 15 000 € que incide o IRS, às taxas gerais; os restantes 5 000 € consideram-se despesas da atividade e ficam fora da tributação.

Despesas: o que justificar e como

A presunção de despesas não é totalmente automática, e é aqui que muitos independentes perdem dinheiro. Para os coeficientes de 0,75 e 0,35, é preciso justificar despesas equivalentes a 15% do rendimento bruto. Se não as comprovar, a parte não justificada acresce ao rendimento tributável, e paga mais imposto.

Contam para esses 15% as contribuições obrigatórias para a Segurança Social, as rendas e os encargos das instalações, os gastos com pessoal, e outras despesas afetas à atividade, comunicadas no e-fatura. Guardar e classificar despesas ao longo do ano deixa de ser burocracia e passa a ser poupança direta de imposto.

Um ponto a confirmar

A exigência de justificar os 15% só morde a partir de um certo nível de rendimento; para valores mais baixos, a dedução específica automática cobre a exigência. Mas, à medida que o rendimento sobe, despesas insuficientes traduzem-se em imposto a mais. É dos primeiros pontos a verificar antes de submeter o IRS.

Simplificado vs. contabilidade organizada

A grande decisão de qualquer independente que cresce é quando deixar o simplificado. A resposta está nas despesas.

Regime simplificadoContabilidade organizada
Base de tributaçãoCoeficiente sobre o rendimento brutoLucro real (receitas menos despesas)
Dedução de despesasPercentagem presumidaDespesas efetivas e documentadas
Contabilista certificadoNão obrigatórioObrigatório
Melhor paraPoucas despesas reaisMuitas despesas reais
Quando as despesas reais superam o que o simplificado presume, compensa mudar.

A regra prática: se as suas despesas reais forem superiores à percentagem que o simplificado presume, a contabilidade organizada tende a compensar, apesar de exigir um contabilista certificado. É uma conta a refazer todos os anos, à medida que o negócio muda.

Obrigações fiscais e declarativas

Simplificado não quer dizer sem obrigações, quer dizer menos. Mesmo neste regime, há prazos e declarações a cumprir. A declaração de IRS, com o anexo B, entrega-se entre 1 de abril e 30 de junho. Mantêm-se as obrigações de IVA, com a isenção do artigo 53.º até 15 000 € ou a declaração periódica no regime normal, e as contribuições trimestrais para a Segurança Social. Falhar qualquer um destes prazos gera coima, e é uma das razões pelas quais muitos independentes preferem o apoio de um contabilista mesmo sem serem obrigados.

Regime simplificado e criptoativos

Uma novidade que apanha muitos de surpresa: os rendimentos de criptoativos entraram nas regras do IRS e têm o seu próprio enquadramento no regime simplificado. Os ganhos de atividades com criptoativos, quando exercidas de forma profissional, são tributados na categoria B, com coeficientes próprios, distintos dos serviços tradicionais. A mineração, por exemplo, tem um coeficiente elevado. Para quem opera neste setor, o enquadramento correto é técnico e mudou nos últimos anos, pelo que confirmar as regras em vigor com um contabilista evita surpresas na declaração.

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Perguntas frequentes

Quem pode estar no regime simplificado?

Quem tem rendimentos da categoria B iguais ou inferiores a 200 000 € por ano. Acima desse limite, a contabilidade organizada passa a ser obrigatória. Abaixo, pode optar pela organizada se lhe for mais vantajoso.

Como se calcula o imposto no regime simplificado?

Aplica-se um coeficiente ao rendimento bruto para chegar ao rendimento tributável, sobre o qual incidem as taxas gerais do IRS. Para os serviços do artigo 151.º, o coeficiente é 0,75, ou seja, só 75% do rendimento é tributado.

Tenho de justificar despesas no regime simplificado?

Sim, nos coeficientes de 0,75 e 0,35, é preciso justificar despesas de 15% do rendimento bruto. Se não as comprovar, a diferença acresce ao rendimento tributável. Contam contribuições, rendas, pessoal e outras despesas da atividade comunicadas no e-fatura.

Quando compensa mudar para contabilidade organizada?

Quando as despesas reais da atividade são superiores à percentagem que o simplificado presume como despesa. Nesse caso, deduzir as despesas efetivas na contabilidade organizada tende a reduzir o imposto, apesar de exigir um contabilista certificado.

O regime simplificado aplica-se a criptoativos?

Sim, os rendimentos de criptoativos obtidos de forma profissional são tributados na categoria B, com coeficientes próprios no regime simplificado. As regras mudaram nos últimos anos, pelo que convém confirmar o enquadramento em vigor.

Recursos e fontes oficiais

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